Engenheiros do Destino - José Henrique Lamensdorf - translation - tradução

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Engenheiros do Destino

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ESTA É UMA AMOSTRA PARCIAL DO LIVRO, QUE JÁ FOI PUBLICADO E ESGOTADO 
(ISBN: 85-98627-42-9)
SE QUISER LER O TEXTO COMPLETO, AINDA TENHO ALGUNS EXEMPLARES.
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ENGENHEIROS DO DESTINO
por José Henrique Lamensdorf




INTRODUÇÃO



É interessante analisar a motivação de um leitor quando este se propõe a ler um livro. Certamente, ele deve ter suas expectativas quanto a entretenimento, desafio ao raciocínio, enriquecimento da sua bagagem cultural, e talvez até um pouco de auto-ajuda.

O objetivo de quem escreve é fazer o investimento do leitor valer a pena. Assim como a maioria dos produtos atualmente apresenta advertências sobre as suas limitações, cabe aqui fazer algumas.

A primeira delas é quanto a se este é um livro de realidade ou ficção. Esta é a maior decisão deixada a critério do leitor, pois é o próprio tema. Acredite quem quiser.

A segunda é se ele trata de alguma nova religião. Ao menos a este respeito, posso afiançar ao leitor que não. É apenas uma explicação, a meu ver plausível, de porque muitas coisas no nosso mundo são como são.

E finalmente há a questão das referências bibliográficas. De onde tirei tudo isso? Nem eu, nem o prezado leitor saberemos, até o dia em que nos tornarmos Engenheiros do Destino... ou não! Se nada disso acontecer, ao menos teremos desfrutado temporariamente de uma explicação racional.

A verdade é que não temos como descobrir se os Engenheiros do Destino puseram as idéias aqui expostas na minha mente, ou se tudo é fruto da minha imaginação. Confio esta decisão ao julgamento de cada leitor, individualmente.

Por este motivo, não tenho como seguir uma estrutura definida; sou obrigado a colocar as idéias na ordem em que elas surgem. O formato será uma série de perguntas e respostas que irão gradualmente montando o quebra-cabeças, como se fosse uma longa entrevista com um Engenheiro do Destino, talvez nem sempre o mesmo, no intuito de compreender como funciona o nosso mundo.

Enquanto lê, procure relacionar estas idéias ao que já viu acontecer na vida. Talvez passe a ver o seu mundo sob uma lógica diferente.

J. H. Lamensdorf


AMOSTRA PARCIAL DO LIVRO - ISBN: 85-98627-42-9



1. Para começar, quem é você, Engenheiro do Destino?

Foi o nome que achei mais fácil para entender, porque nossa missão é manter o engenho do destino em movimento. Eu sou um dos incontáveis que, dentro de certos limites, tentam direcionar o que acontece no seu mundo. Não, não se apavore, não sou nenhum alienígena que pretende conquistar a Terra, e nem você foi sugado para dentro de um teatro de marionetes. Já fui humano, já vivi no seu mundo, podemos até ter nos conhecido, mas não me pergunte quem, quando, nem onde fui, porque não sei mais.

Primeiro, convém você entender uma coisa sobre os três reinos da natureza: animal, vegetal e mineral. Tudo é composto de matéria concreta mais algo que seria difícil de lhe explicar, mas que podemos chamar de energia espiritual.

No reino mineral, essa energia é mínima, quase imperceptível, mas existe. Os minerais são tremendamente estáveis, reagem muito pouco e lentamente à ação da natureza.

O reino vegetal já se caracteriza por uma energia espiritual maior. As plantas reagem ao meio ambiente, porém precisam de interferência externa para a perpetuação da espécie: aves, insetos, e até o vento colaboram para a sua reprodução na maioria dos casos.

A maior dose de energia espiritual se encontra no reino animal. Se comparar com os dois anteriores, a diferença será óbvia.

Em todos os reinos, a energia espiritual varia bastante de uma espécie para outra, mas você já deve ter adivinhado que os seres humanos têm o máximo de energia espiritual que há na natureza.

Depois desta explicação, eu, Engenheiro do Destino, sou o que você poderia imaginar como um bloco de energia espiritual, a parte viva que restou de alguém que um dia foi um ser humano como você, mas que já deixou o seu mundo. Para que não restem dúvidas, eu não existo mais materialmente, porém isto não me impede de estar mais ativo agora do que quando eu vivia no seu mundo.

Se quiser saber onde nós, Engenheiros do Destino, estamos, a coisa fica ainda mais interessante. Fisicamente, não estamos em lugar nenhum, e ao mesmo tempo estamos por toda parte. Seus conceitos vão precisar de uma boa dose de flexibilidade para aceitar esta mistura de ausência com onipresença.


2. Se você não existe fisicamente, como quer que eu acredite em tudo isso? Como posso ter certeza de que não é apenas um delírio ou fruto da minha imaginação?

Nunca vou poder lhe dar esta certeza. Você já pensou em como estas minhas respostas estão chegando a você?

Isto deve ajudar a explicar como nós, Engenheiros do Destino, nos comunicamos. Uma vez que não existimos fisicamente, seria impossível escrevermos cartas, memorandos, ou mesmo e-mails. E ainda há o problema da língua... já percebeu que eu pareço me comunicar com você no seu próprio idioma? Eu me comunico com qualquer pessoa como se estivesse falando no idioma dela.

Nós, Engenheiros do Destino,  nos comunicamos pela transmissão direta de idéias, como se fosse uma telepatia 100% eficiente. Eu coloco as idéias na sua mente, sem ter de codificá-las em palavras, e você não precisa decodificar essas palavras para entender a mensagem. Não se perde absolutamente nada no processo.

Se quisesse, eu poderia fazer minhas idéias chegarem a você em papel, na tela da TV ou do computador, ou até fazê-las aparecerem ao vivo. Mas elas não estariam lá, você apenas as veria nesses lugares: eu teria colocado na sua mente a idéia de você estar vendo essas coisas. Todavia, neste caso eu precisaria codificá-las em palavras, imagens ou sons, e aceitar a possibilidade de uma parte das idéias se perder no seu processo de decodificação. Sendo assim, é mais prático pôr as idéias direto na sua mente, e deixar que você as codifique em palavras, se quiser. Se algo for mal comunicado, a responsabilidade será toda sua; eu terei feito a minha parte com absoluta perfeição.


3. E para que vocês, Engenheiros do Destino, se comunicam?

Bem, ou mal, nós fazemos seu mundo funcionar. Acredite! Muitos dos pensamentos que lhe passam pela cabeça, fomos nós que colocamos em sua mente. Quando você pensa em alguma coisa, é bem provável que nós tenhamos posto esse pensamento na sua imaginação.

Mas não é tão simples assim... tudo o que podemos fazer é colocar idéias na mente das pessoas, absolutamente nada mais. Não temos controle sobre como você irá reagir a cada idéia, nem sobre o que fará a respeito.

E é assim que vamos escrever este livro. Eu posso colocar as respostas na sua mente. Em função do que eu responder, você terá outras perguntas. Basta você pensar nelas, e eu colocarei a resposta na sua mente. O truque é que você nunca saberá que perguntas são suas mesmo, e quais eu coloquei na sua mente.

Como já disse, somos apenas blocos de energia espiritual. Podemos colocar idéias na mente das pessoas, como eu estou colocando este livro inteiro na sua, mas não podemos fazer nada de verdade acontecer.

Você perguntou para que nos comunicamos. Uma coisa que vou repetir muitas e muitas vezes é que o seu mundo é feito à imagem do nosso mundo, que pode lhe parecer algo imaginário. Tudo o que temos é efetivamente imaginário, idéias. Se quiser visualizar a nossa organização, pense numa grande organização do seu mundo, uma empresa, por exemplo. Imagine um imenso escritório, com uma infinidade de pessoas trabalhando para administrar o seu mundo.

E o que fazemos? Temos objetivos a cumprir, como o que vocês chamam de GPO, gerência por objetivos. Cada um de nós é responsável por um certo número de pessoas, pelo cumprimento de uma lista de objetivos estabelecidos para cada uma delas. Muitos objetivos dependem da interação destas pessoas com outras, que estão sob a responsabilidade de outros Engenheiros do Destino. Então precisamos encontrar uma forma de negociar com nossos colegas maneiras para cada um de nossos respectivos tutelados, se quiser chamar assim, atingir seus objetivos.

Por exemplo, se algum objetivo puder ser atingido em função de duas pessoas se conhecerem, os Engenheiros do Destino responsáveis por elas terão de colocar em suas respectivas mentes a idéia de terem vontade de estar num mesmo lugar num certo momento, certo? Mas não temos meios de garantir que ambas efetivamente estarão lá. É por isso que nem sempre acontece como queremos.
Algumas coisas que você provavelmente chamaria de coincidências muitas vezes são o resultado do nosso trabalho. Todavia é muito comum duas ou mais coincidências entrarem em conflito e acabarem não acontecendo.

Parece complicado? Certamente é! O seu mundo não é fácil de fazer funcionar. A única coisa simples é como nos comunicamos: nós, Engenheiros do Destino, colocamos as idéias direta e imediatamente na mente de nossos colegas, sem distorções, do mesmo modo como estou colocando as minhas explicações na sua.


4. Você falou em cumprir objetivos. Que objetivos são esses?

Pense numa organização do seu mundo. Há os grandes objetivos da corporação, que vão descendo, até chegarem aos pequenos objetivos, no nível de execução: o operador da máquina precisa fazer tantas peças por dia, o vendedor precisa vender uma certa quantidade por mês, coisas assim.

Por mais fantástico que lhe possa parecer o que nós, Engenheiros do Destino, somos capazes de fazer, não se iluda: aqui, nós somos os operários. Temos poderes que podem lhe parecer surpreendentes, mas o nosso trabalho não é fácil.

Cada um de nós tem um certo número de pessoas do seu mundo pelas quais é responsável, e tudo o que podemos fazer é colocar idéias na mente dessas pessoas, esperando que reajam da maneira que imaginamos ao criarmos essas idéias, para que as coisas aconteçam de modo a cumprirmos os tais objetivos.

Convém você saber que cada um de nós não fica com o mesmo grupo de pessoas durante a vida inteira delas. É comum as pessoas serem passadas de um Engenheiro do Destino a outro, e essas decisões vem de cima, se puder imaginar que aqui também temos uma hierarquia.

Você perguntou que objetivos são esses. Acredita em clarividência, quiromancia, cartomancia, astrologia, tarô e outras coisas que oscilam entre a ciência e o misticismo?

Bem, algumas pessoas têm o poder de ler, bem ou mal, uma parte desses objetivos. Cada indivíduo tem uma série de objetivos que deverá atingir durante a vida, bem como os respectivos prazos. Todavia, não é líquido e certo que irá atingir qualquer um deles; isso depende essencialmente do nosso trabalho. É para isso que existimos.


5. Como vocês ficam sabendo desses objetivos? Como sabem a quem eles pertencem?

Em primeiro lugar, há a questão de identificação. Você já pensou no porquê de as impressões digitais serem únicas, de não haver duas pessoas no mundo com impressões digitais iguais? Assim como vocês têm números de carteira de identidade, passaporte, previdência social e tantos outros, nós identificamos as pessoas pelas suas impressões digitais. Sim, é exatamente como você entendeu. Qualquer um de nós pode ler um conjunto de impressões digitais como você lê um número de carteira de identidade. É claro que, como estamos tratando de bilhões de pessoas, o código, se quiser chamar assim, é infinitamente mais complexo. Mas é o nosso modo de saber a quem, exatamente, estamos nos referindo. Como não se trata de uma coisa física, pouco importa onde no mundo a pessoa está. Basta decidirmos qual o pensamento ou idéia que queremos colocar na cabeça de quem, e isso ocorre instantaneamente. Contudo a perfeição não existe. Assim como há erros no seu mundo, por exemplo, na digitação de um número de carteira de identidade, às vezes nós também erramos no destinatário das idéias. E o nosso código é muito mais complexo que os seus. Não se esqueça de que as impressões digitais nunca se repetem. Não podemos ter hoje alguém com o mesmo código de outra pessoa que viveu séculos atrás. Então não são apenas bilhões de códigos; eles precisam abranger todas as pessoas que já passaram e passarão pelo seu mundo.

Provavelmente você gostaria de saber como descobrimos quais são os objetivos de cada pessoa. Seus astrólogos conseguiram desvendar uma pequena parte do nosso sistema. A posição relativa dos corpos celestes na hora do nascimento, o que vocês chamam de mapa astral, para nós é como um painel de instrumentos. Acima de tudo, ele nos indica algo de extrema importância: como aquela pessoa irá reagir às diversas idéias que colocarmos em sua mente.

Para facilitar o seu entendimento, vamos usar os signos do zodíaco que os seus astrólogos desenvolveram. Imagine um mesmo pensamento na mente de um taurino, de um pisciano, e de um leonino. Cada um irá reagir de maneira diferente. Este é o nosso desafio, pois podemos criar as idéias e colocá-las na mente do indivíduo, mas não temos controle sobre o que ele irá fazer a respeito.

Lembre-se de que os corpos celestes se movem. E você não imagina quantos deles nos dão informações importantes, mas nem são considerados pelos astrólogos. Muitos deles nem são conhecidos pelos astrônomos, nunca foram vistos por vocês. E a posição relativa deles a cada momento é o que define os objetivos individuais e seus prazos, o que as pessoas deverão realizar em função do nossas idéias.

Neste aspecto, a quiromancia já conseguiu, digamos assim, arranhar a superfície. Assim como as impressões digitais identificam a pessoa, as linhas das mãos nos dão um breve resumo de como será a vida dela. Não dá para tentarmos fugir muito dessas linhas gerais.

Digamos que um tutelado meu precisasse de uma ou mais pessoas para cumprir algum objetivo. Primeiro eu examinaria as linhas das mãos das pessoas que lhe são mais próximas, ou que já têm algum contato com ele, para escolher rapidamente alguém propício para tentar cruzar os destinos. É como vasculhar um arquivo de candidatos a emprego para preencher uma vaga numa organização qualquer. Se as pessoas já se conhecerem, fica tudo muito mais fácil. Bastará colocar na mente do meu tutelado a idéia de se aproximar para o que tiverem de fazer juntos, e torcer para que dê certo.

Se não encontrar ninguém próximo para fazer isso, terei de pesquisar em círculos cada vez maiores. Quando achar candidatos adequados, vou ter de colocar na mente do meu tutelado idéias que o façam agir de modo a encontrar essa outra pessoa. Talvez até precise colocar algumas idéias na mente de um colega, o Engenheiro do Destino responsável por essa outra pessoa, para que ele ponha idéias na cabeça dela, que a levem a agir de acordo.

Há algumas coisas a considerar para você entender o processo. Primeiro, é tudo energia, que talvez você chamaria de virtual. Sendo assim, não vou ficar remexendo pilhas e pilhas de papéis e nem procurar em arquivos de computador: o processo é instantâneo. Segundo, a verificação abreviada, ou seja, pelas linhas da mão, fará os respectivos Engenheiros do Destino perceberem imediatamente que é vantajoso para eles aceitar a minha idéia, se seus tutelados também cumprirem algum objetivo. Como chamam no seu mundo, será o encontro da oferta e da procura.


6. Já que falou dos místicos, como você explica a cartomancia, bolas de cristal, búzios e outras formas de clarividência que implicam em ver algo que não parece estar lá?

Você até conseguiria ter deduzido, mas posso estar esperando demais pelo pouco que lhe contei até agora. Lembre-se de que um Engenheiro do Destino também está colocando idéias na mente do vidente. Esta é mais uma das inúmeras coisas para as quais nós, Engenheiros do Destino, nos comunicamos.

Numa situação dessas, o Engenheiro do Destino do cliente precisa dizer ao Engenheiro do vidente o que espera que ele veja. A leitura da sorte está na mente do vidente, não nas cartas nem na bola de cristal, certo?

Por outro lado, o Engenheiro do Destino do vidente tem a liberdade de colocar as idéias que seu colega pediu ou, se quiser, exatamente o contrário. Depende de se os objetivos desse vidente tratam de fazê-lo ter sucesso, por ter previsto exatamente o que iria acontecer... ou granjear-lhe a fama de charlatão, por ter errado nas suas previsões. E isso também pode ser uma questão de tempo, do momento.


7. E qual seria, então, o objetivo de vocês, Engenheiros do Destino, ao procurarem fazer com que essas pessoas cumpram seus objetivos?

Esta é a grande questão. Todos nós já fomos humanos de carne e osso. Nascemos, vivemos entre vocês, e um dia morremos e voltamos a ser Engenheiros do Destino. Quando tivermos cumprido um certo número de objetivos, voltaremos a nascer e viver uma vida entre vocês. Se quiser pensar em termos de GPO, a gerência por objetivos das organizações do seu mundo, imagine que cada objetivo seja associado a um número de pontos. Cada Engenheiro do Destino, quando acumular um certo número de pontos, irá reencarnar, como vocês chamam.

Observe que a vida de um Engenheiro do Destino não é tão interessante quanto se poderia imaginar. Trabalhamos ininterruptamente. Como não existimos fisicamente, não precisamos descansar ou recompor as energias: nós somos a energia. O que você chamaria de divertimento ou lazer, simplesmente não existe para nós. Recompensas graduais, não há; todos buscamos um único objetivo: atingir esse número de pontos, o resultado que nos permita voltar a viver.

Em contrapartida, passamos por incontáveis frustrações. Pense bem... quantas idéias geniais, modéstia à parte, eu ou algum colega já pusemos na sua mente, e você descartou, não quis, ou não conseguiu fazer nada a respeito? Multiplique isso pelo número de “tutelados” que cada Engenheiro tem, e verá como nossa atividade pode ser frustrante.

E tudo o que podemos fazer para o seu mundo funcionar é colocar idéias, pensamentos, sonhos, desejos, apreensões, suspeitas, visões na mente de vocês. Nada mais.


8. Então a reencarnação existe mesmo?

Não é exatamente reencarnação. Há muito tempo alguns de nós puseram essa idéia na mente de alguns de vocês, e ela se espalhou à medida que outros acreditaram nisso.

Nós chamamos isso de processo de renovação do universo. Se as mesmas pessoas vivessem para sempre, a humanidade já teria chegado à estagnação. Nós, Engenheiros do Destino, seríamos desnecessários, já que a partir de um certo ponto ninguém no seu mundo teria objetivos a cumprir.
A muito longo prazo, uma estagnação como essa levaria a uma diminuição da energia espiritual em cada um, e a tendência seria um nivelamento por baixo: num dia longínquo não haveria mais diferença entre o nível de energia espiritual de um ser humano e um bloco de granito.
Por isso renovamos continuamente o universo, mantendo-o em evolução constante.

Fazendo um paralelo com as suas organizações, os Engenheiros do Destino são os operários que fazem as coisas acontecerem. Nós trabalhamos sem parar, não temos o que você chamaria de uma vida social. Interagimos com os colegas Engenheiros do Destino, mas é puramente trabalho. Pode ser que o nosso universo esteja competindo com outros universos paralelos. Eu não sei se eles existem, assim como você não sabe se há outros planetas habitados, talvez em outras galáxias. Só posso pressupor que haja um motivo para o nosso universo existir, e boas razões para mantê-lo em constante evolução.


9. Já que há uma renovação, quantos tutelados cada Engenheiro tem?

Varia muito. Uma questão de extrema importância é o equilíbrio. O objetivo dos nossos superiores aqui é manter o universo em equilíbrio. Vou falar muitas vezes sobre coerência e equilíbrio, que são as duas regras essenciais do universo.

Nós viemos de pessoas que viveram entre vocês e já deixaram o seu mundo. Evidentemente, como a população do seu mundo continua crescendo, nós temos, sim, algo que seria equiparado a uma linha de produção para pessoas novas. Afinal, de onde tudo poderia ter começado? Mas essa linha de produção tem uma capacidade limitada, caso contrário o equilíbrio seria rompido: encheríamos o seu universo de seres que esgotariam os recursos disponíveis rapidamente.

Sempre que as coisas vão mal no seu mundo, é sinal de que estamos sobrecarregados: cada Engenheiro tem tutelados demais para cuidar, e isso rompe o equilíbrio, que é preciso preservar sempre.

Como cada Engenheiro tem mais gente sob sua tutela, ao todo ele terá mais objetivos, e conseguirá acumular pontos suficientes para reencarnar mais rapidamente. Se esta situação prevalecer por muito tempo, cada Engenheiro terá cada vez mais tutelados. A longo prazo isso levaria a uma ruptura total do equilíbrio: explosão populacional no seu mundo e uma quantidade reduzida de Engenheiros do Destino para cuidar deles. Seria o fim dos tempos para todos nós.

Por este motivo há um limite natural para a quantidade de tutelados que pode ser atribuída a cada Engenheiro do Destino. Esta é uma condição importantíssima para se preservar o equilíbrio do sistema. As guerras, revoluções, atentados, epidemias, desastres naturais e tantas outras coisas que fazem muitos do seu mundo virem reforçar a nossa equipe servem para manter o sistema viável.
Veja bem, não é que tenhamos uma limitação de quantas idéias podemos pôr na mente de um certo número de pessoas, e o nosso tempo não é uma variável a considerar. Mas como o seu mundo é feito à imagem do nosso, se tivermos um número menor de decisões a tomar (e você ficaria espantado com a quantidade de decisões que tomamos numa fração de segundo do seu tempo), assim como vocês fazem, poderíamos pesar alternativas e escolher a melhor delas, até ponderar as conseqüências, não nos contentando com a primeira que nos ocorrer. É um modo de reduzir a quantidade para melhorar a qualidade.


10. Quanto às guerras e revoluções, tudo bem, vocês podem colocar a idéia de fazê-las na cabeça de seus líderes. Mas como é que conseguem causar doenças e desastres naturais, se você disse que não conseguem fazer nada acontecer?

Vamos por partes, começando pelo mais fácil. Os desastres naturais, sabemos antecipadamente quando e onde irão ocorrer; não podemos causá-los nem impedi-los. O que podemos fazer é dar motivos para pessoas suficientes estarem lá quando acontecerem. Não podemos colocar nenhuma pessoa no local, e nem podemos evitar que outras pessoas estejam no lá por outros motivos. Tudo o que podemos fazer é semear idéias. As vítimas possivelmente farão falta no seu mundo, mas a sua ausência estará ajudando a preservar o universo.

Quanto às doenças, é uma questão da evolução do ser humano. Elas fazem parte do seu mundo, e muitas vezes temos alguns tutelados predestinados a curá-las. Você aprenderá que nem tudo é perfeito: a perfeição é algo que se busca a vida inteira sem conseguir atingir. Numa doença infecciosa, o contágio pode ocorrer acidentalmente, por não se terem tomado as devidas precauções, ou até por falha das pessoas que as tomaram.

Como todos têm data prevista para vir se juntar a nós, o método não faz muita diferença, depende da criatividade do Engenheiro responsável pela pessoa. Como nem tudo é perfeito, às vezes acontece muito cedo, às vezes atrasamos, e às vezes outras pessoas se encarregam de descumprir a data marcada para si mesmas ou para outros.

O objetivo é sempre manter o equilíbrio. Precisamos ter Engenheiros do Destino suficientes aqui para tutelar as pessoas aí.


11. Antes que eu perca o fio da meada, pelo que entendi há um fluxo constante de pessoas que morrem e se transformam em Engenheiros do Destino, e de Engenheiros do Destino que completam o número de missões, o que lhes dá o direito de reencarnarem. É assim que funciona?

É bem mais complexo que isso, mas a grosso modo você entendeu corretamente. Vamos por partes.
Precisamos começar em algum momento, já que, como você deve ter percebido, é um ciclo fechado. Vamos começar pelo momento em que uma pessoa no seu mundo morre. Sua parte física é enterrada, cremada, embalsamada, ou até pode ter sido perdida ou destruída. Tanto faz, o corpo sem a energia espiritual não terá vida.

Restará, contudo, o seu bloco de energia espiritual, e dele surgirá um novo Engenheiro do Destino. Isso pode ser um tanto difícil para você imaginar, já que é algo que não existe fisicamente. Vou tentar fazer analogias com objetos, apenas para que você entenda melhor. Mas não se engane, pensando que estes objetos existem; nada disso é material.

Pense em tudo o que havia na mente do indivíduo, seus conhecimentos, sua cultura, suas habilidades, suas crenças, enfim, tudo. Imagine isso inscrito numa placa de qualquer material, que depois tenha sido revestida numa das faces com um tipo de plástico adesivo.

O que fazemos, ao receber essa placa, é remover o plástico, eventuais restos de cola, e raspar tudo o que estava gravado nas duas faces. Não custa repetir, é apenas uma analogia para você visualizar o processo. Como eu já disse, nada disso existe fisicamente, e o processo não é perfeito.

Imagine fazer algo assim de verdade. Às vezes o plástico se rasga e restam pedaços que continuarão intactos na próxima encarnação. Em outros casos, restam pedaços de cola do plástico na superfície da placa, o que tornará mais difícil remover tudo o que há gravado por baixo naqueles lugares. Em algumas partes, a cola poderá fazer com que a gravação saia junto com o plástico. Talvez até um pouco da placa seja arrancado. Retirado o plástico, é preciso raspar o que houver inscrito na placa. Se você já tentou remover etiquetas adesivas, pode ter visto algo bem parecido.

O verso, não plastificado, é mais fácil de limpar. Imagine tudo isso como um processo manual. Às vezes se raspa pouco, e sobra um pouco da gravação. Às vezes se remove demais, e em alguns pontos da superfície não será possível gravar adequadamente outras coisas.

Isto explica em parte porque algumas pessoas têm talentos inesperados e outras (às vezes as mesmas) têm deficiências ou dificuldades insuperáveis, em muitos casos discrepantes da carga genética que receberam de seus pais.

Essas placas vem sendo reutilizadas há milênios, desde que existe a humanidade. Claro, para que a população cresça, são feitas placas novas, mas a sua quantidade é mínima em comparação com as que já circulam há um bom tempo. De certo modo isso ajuda a explicar a evolução da humanidade. Cada vez sobra mais material antigo nas placas, e assim o ser humano cada vez nasce com instintos mais evoluídos do que antes.

Quase me desviei do assunto. Estava falando de quando alguém deixa o seu mundo. Muito bem, já vimos a minha analogia da placa para a bagagem intelectual. Além da placa há a energia espiritual, que é do que consiste um Engenheiro do Destino. Mas esse material ainda não está pronto para funcionar como tal. Há toda uma seqüência de eventos, cada uma com o seu tempo certo.
Você já reparou que a maioria das religiões tem datas fixas para as manifestações de luto? Os cristãos, com seu calendário gregoriano, celebram missas de 7º dia, de 30º dia, de um ano... os judeus, com seu calendário lunar, guardam luto por 7 dias, há uma cerimônia de 30 dias, outra de 1 ano... e assim por diante.

O que acontece é que, a partir do momento em que a pessoa morre, leva-se 7 dias do seu tempo para separar a energia espiritual do que eu chamei de placa. Durante este tempo, o falecido já tem todos os poderes de um Engenheiro do Destino, mas ainda não sabe usá-los, e nem tem tutelados designados. Alguns até conseguem colocar algumas idéias na mente de seus entes queridos, mas isso ocorre totalmente ao acaso, quase involuntariamente. Vocês pensam que é decorrência da meditação sobre a perda de alguém próximo, mas é exatamente o contrário. O falecido relembra as pessoas que conheceu em vida.

Do 7º ao 30º dia do seu tempo, essa energia espiritual, já separada da placa atravessa um processo progressivo de desvinculação dos seres que lhe eram próximos no seu mundo, e de preparo para as funções de Engenheiro do Destino. Chame isso de estágio ou treinamento, se quiser. No 30º dia se dá a despedida final, e a energia espiritual se torna um Engenheiro do Destino pleno, como eu e uma infinidade de outros. Permanece apenas uma restrição: esse Engenheiro não poderá ter como tutelado nenhuma pessoa que tenha conhecido em vida, até completar um ano do momento em que saiu do seu mundo. A partir daí, não sobra o menor resquício no Engenheiro daquilo que ele foi ou fez ou quem conheceu. durante sua última estada no seu mundo. Ele passa pela primeira troca de lista de tutelados, e pode influir na vida de quaisquer pessoas que lhe sejam designadas.

Então, as comemorações de um ano do falecimento não são tanto uma homenagem direta àquela pessoa, mas um convite dos participantes do evento para que aquele Engenheiro do Destino formado a partir da energia espiritual do falecido venha a assumir a tutela de qualquer um deles. Existe algo que permanece imutável ao longo dos tempos em cada bloco de energia espiritual. São essas qualidades permanentes do bloco de energia, que certamente se manifestaram durante a vida do indivíduo, que as pessoas que prestam as homenagens póstumas gostariam de ter no Engenheiro do Destino a si designado, por exemplo, bondade, dedicação, integridade etc.


12. Então há Engenheiros do Destino melhores e piores?

Mas claro! Assim como há pessoas melhores e piores no seu mundo, se quiser usar esses adjetivos.
O fato de não haver duas pessoas iguais no seu mundo é decorrência pura e simples (ou talvez a causa - dependendo do ponto de partida no ciclo) de não haver dois blocos de energia iguais aqui.
Até onde pude saber deles mesmos, tenho colegas que ficaram aqui o tempo todo, enquanto eu fui para o seu mundo e voltei algumas vezes. Eles simplesmente não conseguem fazer seus tutelados atingirem os objetivos.

De tempos em tempos, alguns dos tutelados de cada Engenheiro são transferidos para outro. É nessas horas que vocês percebem que a vida dá uma guinada para melhor ou para pior. É claro que às vezes vocês nem percebem, ao mudarem de um Engenheiro para outro mais ou menos tão bom quanto o anterior.

Mas observe que eu disse que vocês percebem. A vida não terá mudado em nada, nós não temos poderes para fazer isso; só podemos mudar as suas idéias, a percepção que vocês têm da vida naquele momento. É por isso que, às vezes um grande revés não causa maiores conseqüências e, em outras, um pequeno contratempo é motivo para um grande desgaste pessoal. Da mesma forma, uma conquista importante pode ser tratada pelo indivíduo como algo já esperado, e um pequeno resultado favorável pode ser efusivamente festejado.

Nós somente temos influência no que as pessoas pensam sobre o que aconteceu, da forma que acharmos que as faça cumprirem os objetivos que temos para elas.


13. E o que define se e quando cada um de nós vai pegar um Engenheiro do Destino melhor ou pior?

Vocês têm a expressão escrito nas estrelas. É mais ou menos isso. Como eu disse antes, os corpos celestes são o nosso painel de instrumentos. É por isso que os seus horóscopos, mapas astrais e outras previsões às vezes se realizam. Quando eles não se realizam, é porque os seus místicos conhecem apenas uma parte do nosso painel.

Mas você desviou do assunto. Isso foi para lhe mostrar que nem todas as idéias que lhe vêm à cabeça fui eu quem colocou. Você não tem como diferenciar as idéias que eu ponho na sua cabeça daquelas que você tem sozinho. Quando houver controvérsias ou dicotomias em sua mente, você jamais saberá se é você questionando as minhas idéias, ou se sou eu questionando as suas.

Por um lado, é isso que dá a cada ser humano a sua personalidade própria, que muda pouco durante a vida. Se não fosse assim, a pessoa teria a personalidade do seu Engenheiro do Destino naquele momento. Isso tornaria as pessoas imprevisíveis e, apesar de não instabilizar o equilíbrio, acabaria com a coerência. Nunca se esqueça: coerência e equilíbrio!

Estávamos vendo o ciclo; vimos como vocês se tornam Engenheiros do Destino, faltou a parte de como nós, Engenheiros do Destino, passamos para o seu mundo.


14. Então, como é que as pessoas nascem, ou seja, como é que vocês reencarnam no nosso mundo?

O nascimento de uma pessoa não é uma coisa simples. Aqui, precisamos de um Engenheiro do Destino que tenha cumprido todas as suas metas, ou seja, um bloco de energia espiritual para dar a essa pessoa, e precisamos de uma daquelas placas da nossa analogia, já raspada, regravada e plastificada, que dará à pessoa talentos e aptidões que ela irá usar durante sua vida.

No seu mundo, também há o que providenciar. Precisamos ter um homem e uma mulher que irão consumar a concepção. Cada um deles irá contribuir com um conjunto de características genéticas, que serão gravadas na outra face da placa, aquela que não leva plástico adesivo. Uma parte disso é o que vocês chamam de DNA. Ainda é preciso preparar um conjunto inédito de impressões digitais, o nosso número de identificação; pode considerá-lo como um gigantesco código de barras. E já que estamos falando das mãos, nelas também é gravado um quadro-resumo na palma das mãos, as linhas das mãos.

Todos esses preparativos levam cerca de 40 semanas, ou aproximadamente 9 meses do seu tempo. Não temos controle direto sobre a data e hora do nascimento. Como eu já disse, não podemos interferir em eventos físicos. Apenas o Engenheiro responsável pela mãe, pelo pai ou pelo médico pode colocar na mente de um deles a idéia de fazer uma cesariana ou induzir um parto num momento diferente do que a natureza o faria.

O momento do nascimento, seja ele como for, é um tipo de sorteio. Ele define muitas coisas que poderão acontecer àquela pessoa durante a sua vida, em função da posição dos corpos celestes naquele instante. Para você visualizar, o funcionamento das suas máquinas de caça-níqueis usa algo parecido: você vai parando os tambores que giram, e vê a figura em cada um. Mas no nosso caso trata-se de uma infinidade de corpos celestes, que definem uma infinidade de coisas que poderão acontecer na vida daquela pessoa. Os seus astrólogos chamam isso de mapa astral; se eles considerassem todos os corpos celestes que nós consideramos, poderiam orientar uma pessoa para aproveitar as oportunidades da sua vida ao máximo. Ocorre que vocês não podem, e acho que jamais poderão, ver todos esses corpos celestes, apenas alguns deles.


15. Então vocês retornam ao mundo como bebês, crescem, passam pela adolescência, chegam à idade adulta, envelhecem, e um dia retornam à condição de Engenheiros do Destino. Alguns voltam mais cedo, outros mais tarde. Como se define quando isso acontecerá?

Você está certo quanto ao ciclo no seu mundo. Claro, você o vê à sua volta... Quanto ao momento da partida, é algo complicado até para nós. Não vou lhe fazer segredo disso, poderia lhe dizer exatamente qual é a data prevista para você deixar o seu mundo. Quando a hora estiver próxima, o colega Engenheiro do Destino que estiver cuidando de você irá preparar o seu bloco de energia espiritual para se juntar a nós.

Tudo bem, sabendo quando será, você poderia se preparar e agir de acordo. Mas... como eu já coloquei, nem tudo é perfeito. E esta é a maior área de imperfeições que temos. Há tanta coisa que pode acontecer, que é impossível dizer qual a probabilidade de a data prevista para a sua partida ser cumprida, pois há demais interferências possíveis.

Em primeiro lugar, há os fatores genéticos, o DNA como vocês chamam. Os Engenheiros responsáveis pelos pais prepararam tudo, os setores responsáveis gravaram a placa, as impressões digitais, as linhas das mãos, o nascimento ocorreu num certo momento, com os corpos celestes numa certa posição etc. etc., mas uma doença hereditária pode tornar impossível uma vida tão longa quanto a prevista.

Aí a situação se complica. De um lado, o Engenheiro responsável por essa pessoa logo vê que não conseguirá de modo algum cumprir o objetivo de tirá-la do seu mundo nem perto da data prevista. Então nem perdemos tempo, como diriam no seu mundo, em tentar. Por outro lado, um ou mais Engenheiros responsáveis pelos médicos que irão tratar dessa pessoa podem ter como objetivo que eles consigam fazer grandes avanços na ciência, prolongando esta e talvez outras existências. É fácil ver como uma situação pode fugir ao controle do Engenheiro encarregado do portador de um mal congênito.

Com o caso desses médicos, você deve ter percebido que é fácil um Engenheiro do Destino interferir no trabalho de outro. Às vezes acontece um de nós conseguir cumprir um objetivo à risca e, involuntariamente fazer com que outros sejam impossibilitados de cumprir os seus. Imagine um acidente de trânsito envolvendo um ônibus, com muitas vítimas fatais. Será que todos os passageiros estavam marcados para deixar o seu mundo naquele exato momento? É pouco provável. Talvez um só, talvez apenas uns poucos. O fato é que não temos controle sobre nada que ocorre fisicamente, somente o que passa pela mente das pessoas. Todos os que estavam no ônibus tinham algum motivo para ir da origem ao destino, mas apenas alguns, ou talvez um só, estavam predestinados para esse desfecho.

E ainda temos os nossos problemas administrativos aqui. Dada a quantidade de pessoas, e de Engenheiros também, pode ocorrer que alguém no seu mundo passe algum tempo sem ter um Engenheiro do Destino designado. Se nesse ínterim a data prevista do passamento (como vocês chamam, e nós achamos correto: vocês passam para o nosso lado) transcorrer, o Engenheiro a quem eventualmente essa pessoa for designada não terá mais como cumprir um objetivo com a sua remoção. Uma pessoa nessas condições só irá deixar o seu mundo quando o Engenheiro responsável por outra pessoa precisar disso para cumprir um objetivo de um de seus tutelados.

Para complicar ainda mais as coisas, como já vimos, temos os grandes desastres naturais, guerras e outros incidentes que retiram gente em grande quantidade do seu mundo para repopular a nossa equipe, quando ficamos sobrecarregados. Já expliquei as conseqüências disso. O vai-e-vem entre o seu mundo e o meu é constante para manter o equilíbrio.


16. Achei muito interessante essa analogia que você fez com as placas, que são gravadas e regravadas. Isto explica as aptidões, os talentos naturais de uma pessoa?

Sim e não. Há vários fatores em jogo.

Se, por exemplo, o filho de um sapateiro e uma cozinheira que nunca gostaram de música se tornar um compositor, maestro ou instrumentista notável, você pode presumir que a placa desse filho foi mal apagada, ou até que o plástico adesivo se rasgou, e restou algo do seu usuário anterior.
Outro fator é o que vocês chamam de DNA, o legado genético. Nem é preciso explicar muito. Você encontra famílias inteiras de médicos, dentistas, advogados e outras profissões. Porém mesmo nessas famílias costuma haver um ou outro que seguiu um caminho diferente. Na maioria dos casos, ele recebeu uma placa que não foi muito bem apagada, e conseguiu descobrir algo excepcional que restou de seu usuário anterior.

E ainda há a possibilidade de uma pessoa desenvolver um talentos para os quais não contava com aptidões, digamos assim, inatas. Um lado da placa é gravado aqui, e plastificado. O outro não só contém os fatores genéticos, mas também vai sendo gravado ao longo da vida, como um relatório de progresso para nós. O Engenheiro que subitamente receber sob sua tutela essa pessoa precisa imediatamente ler os dois lados da placa, para manter a coerência da vida do indivíduo. Afinal, é impossível, ou melhor, inconcebível, que um engenheiro civil subitamente descubra a cura para uma doença que os médicos pesquisavam há anos.

A probabilidade de algo desenvolvido durante a vida, portanto gravado no verso não plastificado, passar para outro usuário, é pequena, mas existe. O mesmo ocorre com algumas características que podem parecer genéticas, mas que o DNA não explica. Veja, o DNA é algo físico, depende dos pais do indivíduo, e sobre coisas físicas nós não temos nenhuma interferência.

Nosso trabalho fundamentalmente é manter a coerência e o equilíbrio, mas são as falhas do sistema que dão variedade ao seu mundo. Caso contrário, seria tudo muito monótono, e a evolução seria muito lenta.


17. Já que você falou em variedade, como é que você explica a diversidade humana? Em outras palavras, de onde vem as diversas raças humanas? Vocês fazem algum tipo de classificação das placas apagadas?

A raça é uma só, a humana. As variações são essencialmente físicas, anteriormente distribuídas nas diversas regiões do mundo. O avanço da humanidade tem provocado a miscigenação crescente.
Até onde sei - e você precisa entender que um Engenheiro do Destino não sabe absolutamente tudo - isso veio do processo de criação do ser humano. Foram várias experiências para adequar o ser humano aos diversos tipos de meio ambiente que existem no mundo.

Se o meio ambiente no mundo inteiro fosse homogêneo, a população seria uniformemente distribuída, não acha? Mas vocês têm metrópoles superpopuladas e áreas desertas. Uma parte do progresso da humanidade foi no sentido de tornar o ser humano capaz de viver nos climas mais variados, independentemente de sua origem étnica.

Quanto à sua pergunta, não, não fazemos qualquer discriminação do que eu ilustrei como placas. Lembre-se de que elas são apenas uma analogia para você poder visualizar; essas placas não existem fisicamente. Mas nesta analogia, não diferenciamos as placas. Elas chegam, são raspadas e estocadas para uso posterior.

O resultado disso é uma diversificação ainda maior, o que cria oportunidades para o desenvolvimento da humanidade como um todo. Hoje em dia, as diferenças são bem menores, mas ainda existem. Imagine uma placa mal apagada de um grande cientista reciclada numa criança nascida em meio a uma tribo extremamente primitiva. Essa pessoa provavelmente será vista como um excêntrico a vida inteira, mas seu espírito científico - se isso estiver nos seus objetivos, e se o seu Engenheiro do Destino os cumprir oportunamente - permitirá trazer algumas inovações àquela vida primitiva.


18.  Você tocou num ponto interessante agora. O que influi nas realizações de uma pessoa?

Depende do que você quer dizer com realizações. Observe que é um conceito bem relativo ao ambiente onde o indivíduo vive. Aproveitando o contraste do exemplo anterior, em meio a uma tribo primitiva, conseguir atear fogo a um pedaço de madeira para cozinhar alimentos pode ser algo espetacular. Mas em qualquer cidade moderna, isso já se faz sem fogo num forno de microondas.

Então vamos ver os fatores que entram em jogo.

Em primeiro lugar, o potencial. Uma parte dele vem com a placa. O indivíduo já nasce com certos talentos e habilidades que podem ter restado de pessoas que ele nem sabe que existiram. Depois, há os fatores genéticos: ele pode ter herdado pendores de seus pais biológicos. Mas nada disso adiantará se essas coisas ficarem como potenciais inexplorados.

O segundo fator é a conjuntura do seu nascimento, o que os seus astrólogos chamam de mapa astral. Para nós é como uma simples leitura de um painel de instrumentos. Isso lhe dará uma série de ferramentas para o jeito de ser que, no fundo, é o modo como essa pessoa fará quaisquer realizações. Os seus psicólogos chamam isso de personalidade. Você não poderia imaginar o quanto esta explicação é simplificada, mas os seus signos do zodíaco podem ajudar a esclarecer um pouco. Cada signo tem suas peculiaridades, de modo que o que um conseguirá com persistência, o outro terá de fazer com organização e disciplina, um terceiro com pragmatismo, e assim por diante.
Já que tocamos no assunto, o signo do zodíaco é uma informação tão pequena quanto o curso no painel de um de seus aviões mais modernos. Dizer que uma pessoa é deste ou daquele signo é como dizer que o avião está seguindo para o Norte, sem indicar latitude, longitude, altitude, velocidade linear, ascensão ou descida, quantidade de combustível, ventos etc. etc. Há uma infinidade de outros fatores em jogo.

O terceiro fator é o ambiente onde ele nasceu, o lugar geográfico no seu mundo. Se ele estiver num lugar onde não haja a menor possibilidade das grandes realizações para as quais eventualmente esteja predestinado, será que o seu Engenheiro do Destino consegue tirá-lo de lá são e salvo?

O quarto fator se compõe dos objetivos que lhe são predestinados, e que nós aqui tentamos lhes colocar idéias na cabeça para que os cumpram. Esses objetivos e suas datas previstas são todos indicados pela posição dos corpos celestes em relação a onde estavam quando o indivíduo nasceu, o nosso painel. Mas aí é que entra em ação o fator decisivo...

O quinto fator é o indivíduo fazer algo na linha do pensamento que o seu Engenheiro do Destino lhe colocou na mente. Antes de mais nada, ele precisa prestar atenção no que lhe passa pela cabeça.

Vocês têm tanta coisa na mente, que às vezes nos exigem muito esforço para sermos ouvidos. De um modo geral, vocês acham que os pensamentos que colocamos nas suas mentes são mera intuição. Pois acredite, não é intuição. Quando que lhe vier um palpite assim do nada, provavelmente será algo que nós colocamos. Mas tome cuidado para não inventar coisas e achar que é um palpite nosso; vocês têm essa capacidade inventiva, e nem sempre - eu diria até que raramente - sabem diferenciar uma invenção de uma idéia que colocamos na sua mente.

Vamos pegar um exemplo bem simples. Para realizar algum objetivo importante para o qual esteja predestinado, um sujeito precisa conseguir muito dinheiro. Digamos que a data do objetivo esteja se aproximando, e seus Engenheiros do Destino anteriores não tenham tido muito sucesso neste sentido, pouco importam os motivos. Seu Engenheiro atual vê que há um momento próximo, favorável a ele ganhar muito de uma vez. Uma solução seria fazê-lo ganhar na loteria. Mas para ganhar, é preciso comprar um bilhete. Como o coitado já tem pouco dinheiro e muitas dívidas em meio a um monte de outras preocupações, o palpite de comprar o bilhete de loteria pode ser descartado incontinenti. Perdida a oportunidade, se esse Engenheiro quiser cumprir o objetivo, por exemplo, terá de achar outra pessoa, um investidor, que se interesse em ajudar este seu tutelado, verificar com o Engenheiro desse outro se há objetivos comuns que possam ser combinados, e a situação pode ficar bem complicada. Mesmo que isso, aqui entre nós, leve uns poucos segundos do seu tempo, não é uma coisa fácil.


19. Antes disso, estávamos falando em raças, e me ocorreu uma dúvida: E as diversas religiões?

Todas as religiões partem de uma doutrina, às vezes num livro. Vocês têm o Pentateuco ou Velho Testamento, o Novo Testamento da Bíblia, o Alcorão e vários outros. Como você acha que foram escritos?

Se acreditar no que você e eu estamos fazendo aqui, será fácil aceitar que, em outras eras, algum Engenheiro do Destino colocou todas essas idéias na mente das pessoas que escreveram esses livros, exatamente como eu estou colocando na sua. Mas não vá ter ilusões de grandeza; este nosso projeto aqui é bem mais modesto.

Cada um desses livros precisava ser adequado à época, ou não encontraria seguidores. Neste momento, o que nós dois estamos fazendo não visa conquistar seguidores. Não posso lhe dizer qual é o seu objetivo que eu, como seu Engenheiro do Destino, estou tentando ajudá-lo a cumprir aqui. O principal motivo é que nada garante que ele será cumprido, isso depende de muitos outros fatores. Mas é a minha missão. Também tenho outros tutelados, cada um com os seus próprios objetivos estabelecidos, e o resultado de todos eles é o que me permitirá acumular os pontos necessários para que eu retorne ao seu mundo.

Voltando às religiões, no tocante ao conteúdo, se você observar bem, verá que há alguns princípios éticos comuns a todas elas. Era o que queríamos transmitir na época para criar um modo de vida capaz de assegurar a continuidade do seu mundo com coerência e equilíbrio.

Não há dúvida que os rituais variam muito de uma religião para outra, bem como alguns costumes. Mas tudo isso foi criado por vocês, a partir da interpretação das diversas doutrinas. Uma parte pode ter sido com base em idéias colocadas pelos respectivos Engenheiros na mente dos líderes religiosos, outra pode ser criação própria deles.

Para me certificar que você se não empolgue demais, nem tenha a mais remota ilusão de estar escrevendo aqui uma nova Bíblia, ou criando uma nova religião. Meus colegas Engenheiros do Destino de outras épocas - o que pode até incluir eu e você em outras passagens por estas bandas - resolveram explicar como funcionava o universo de uma forma muito mais ilustrativa, com o relato de uma série de acontecimentos; contudo esse formato não teria a mesma receptividade hoje em dia, e nem é o nosso intuito.

O que estamos fazendo agora é uma explicação muito mais pragmática de como as coisas funcionam.
Mas renovo o aviso: nem você, nem ninguém, jamais saberão se tudo isso é puramente fruto da sua imaginação ou idéias que eu, seu Engenheiro do Destino, coloquei na sua mente. É uma questão de acreditar ou não. E como você mesmo não saberá, de nada adiantará lhe perguntarem.


20. Já que é uma questão de acreditar, uma pergunta curta, porém difícil: Deus existe? Se existir, é um só?

Mas claro que sim! Talvez nem sempre exatamente na acepção de qualquer religião, mas a resposta é definitivamente sim.

Tudo o que existe no seu mundo é feito, de certa maneira, à imagem do nosso. De onde mais iriam buscar outros paradigmas? Vocês têm organizações, empresas, países, associações de países... Quantos líderes supremos, presidentes, ou o que for, há numa organização dessas? Sempre um só. O mesmo ocorre aqui.

Mas a nossa organização não é plana. Os Engenheiros do Destino são o escalão inferior. Acima de nós há outros níveis que desconheço. Para conhecer o próximo nível, acima do meu, precisaria que alguém dele entrasse em contato comigo para explicar, da mesma maneira que estou fazendo com você. E isso nunca aconteceu, ao menos que eu saiba.

Mas a prova de que há outros níveis acima dos Engenheiros do Destino é evidente nas perguntas que ainda pairam entre nós, aqui:
• Quem criou o universo?
• Quem criou este ciclo contínuo entre o nosso mundo e o seu?
• Para onde vão alguns blocos de energia espiritual que deixam o seu mundo e não vem para cá?
• Quem coloca os corpos celestes (nosso painel) nos seus lugares e controla o seu movimento?

Há uma infinidade de outras perguntas, mas pela complexidade do universo, você pode ter certeza de que a organização precisa ter vários níveis para continuar existindo e evoluindo. E no topo dessa organização, com a mesma certeza, há somente um líder.


21. E quanto às religiões politeístas? Como é que elas têm vários deuses?

Observe que todas elas têm um deus máximo; os outros são subordinados.

Se você tomar a mitologia grega ou romana, verá que os deuses subalternos são específicos a coisas ou atividades do seu mundo, algo como uma gerência matricial nas suas empresas. Pela época, considerando que a população do seu mundo era muito menor, talvez a nossa organização aqui também fosse menor; e nem houvesse Engenheiros do Destino então.

Se pensar nos diversos santos do catolicismo e compará-los com os deuses gregos ou romanos, verá que se trata de um outro nível hierárquico. Como é uma religião mais recente, é bem provável que a nossa organização aqui tenha ganho alguns níveis a mais nesse intervalo.

Até o judaísmo, que crê em uma única divindade sem subordinados ou intermediários, tem sua semelhança com as empresas de vocês. Como o Gênese parte de Adão e Eva, era uma operação minúscula, se comparada ao seu mundo de hoje. E o que acontece numa micro empresa no seu mundo? Fala-se diretamente com o dono.

Observe que as doutrinas datam de épocas diferentes, em que o seu mundo tinha dimensões bem diversas. Como os princípios que regem o universo - coerência e equilíbrio - se mantiveram ao longo de todo este tempo, elas ainda se aplicam, com as devidas adaptações.

A nossa organização aqui deve ter evoluído de acordo, para dar conta do crescimento do seu mundo. Eu, um simples Engenheiro do Destino, não teria como saber. Mas é fácil você visualizar o crescimento à imagem de uma organização qualquer no seu mundo.

Esta explicação de como nós operamos poderá estar completamente obsoleta daqui a alguns séculos. A velocidade dos acontecimentos é cada vez mais rápida: o que levou milênios no passado poderá levar apenas alguns séculos a partir de hoje. Por isso não vale a pena, e nem é necessário criar uma nova crença a partir desta nossa comunicação, isto tudo é apenas uma explicação de como funciona a nossa organização hoje.

É por este motivo que não vamos fazer aqui uma narrativa mística, mas apenas dar uma visão prática do nosso trabalho.


22. Você falou em misticismo, e despertou minha curiosidade: o que são milagres?

Recapitulando, nós, Engenheiros do Destino não conseguimos fazer acontecer nada, apenas colocar idéias nas mentes dos nossos tutelados.

Então, um milagre pode ser qualquer coisa que o estágio atual da sua ciência ainda não consiga explicar. Se examinar a história, verá que muitos milagres foram desmistificados depois pela ciência.

Uma chuva repentina na lavoura depois de uma estiagem prolongada pode ser considerada um milagre por pessoas menos informadas. Mas atualmente já existem técnicas para fazer chover em lugares certos, nas hora certas e em quantidade certa. Nem por isso chamam os pilotos dos aviões que fazem chover de milagreiros.

Quando acontece algo depois de muita expectativa, súplicas, orações, você pode pensar que é um milagre em resposta às preces. O evento em si pode ser algo comum ou excepcional, não faz muita diferença. O que o valoriza é ele vir depois de reza fervorosa. O indivíduo pode achar por si que existe essa relação causa-efeito, ou nós, Engenheiros do Destino, podemos colocar essa idéia em sua mente. Mas não temos condições de efetuar qualquer milagre; se qualquer evento acontece, seja ele milagre ou não, vem de nossas instâncias superiores aqui.


23. Então por que tanta gente reza? Vocês ouvem essas preces?

Nós ouvimos e vemos tudo o que se pensa no seu mundo. Mas o ato de rezar, na verdade, é voltado para a própria pessoa que o faz, não para nós. Ela está dedicando tempo e energia para afirmar a si mesma que acredita em nós e em nossos superiores aqui. Nesse momento, temos uma confirmação de que temos uma mente receptiva às idéias que precisamos colocar.

Se os nossos superiores aqui ouvem essas preces, não sei. Mas certamente são manifestações de apoio à nossa organização inteira. Se você observar, o texto de boa parte das orações se dedica a louvar as qualidades dos nossos superiores aqui e, às vezes, até de nós, como executores das decisões deles.

Rezar é apenas fazer isso de maneira disciplinada. Uma pessoa pode apenas pensar positivamente no trabalho que nós, Engenheiros do Destino fazemos e, para nós, isso terá o mesmo efeito. Não sei quanto aos meus superiores. Aqueles que rezam, acima de tudo, estão reafirmando para si mesmos que acreditam que nós aqui faremos um bom trabalho para eles.


24. Você falou em receptividade às idéias que vocês colocam em nossas mentes. Se a pessoa for pouco receptiva a elas, terá poucas idéias? De onde surgem todas as idéias que temos na mente?

Vamos começar pelo mais fácil... cada pessoa certamente é capaz de ter suas próprias idéias. Elas surgem através do mecanismo de coerência, a partir de tudo o que já tem na mente. Podem vir também de material que não tenha sido bem apagado da sua placa. Nós precisamos tentar fazer o indivíduo cumprir os objetivos que lhe foram predestinados, colocando idéias na mente dele.

E agora entramos numa parte delicada, com que eu sabia que a certa altura teríamos de abordar. Nós, Engenheiros do Destino, somos construtores. O objetivo de toda a nossa organização é a evolução do seu mundo. Mas pense bem, se não tivéssemos de enfrentar nenhuma dificuldade, obstáculo ou oposição, o que aconteceria? A evolução entraria num ritmo desenfreado, impossível de controlar, perderíamos o equilíbrio tão essencial, e o seu mundo se destruiria em pouco tempo.
Então, preciso lhe dizer a verdade, temos um oponente, ou concorrente, se preferir chamar assim, que é o elemento destrutivo do universo. É uma organização em certos aspectos semelhante à nossa, cujo trabalho vocês chamam de obra do diabo.

Eles agem de maneira parecida com a nossa, mas com objetivos destrutivos.
Então, o que vocês consideram uma pessoa boa ou má é uma decorrência direta de ela ser mais receptiva às nossas idéias ou às do nosso concorrente. Da mesma forma, os pensamentos próprios dela se basearão, pela coerência, na quantidade de idéias que ela aceitar de nós ou de nosso concorrente.

O bem e o mal precisam conviver para que haja equilíbrio. Se qualquer um dos dois tivesse controle total, destruiria o universo inteiro em pouco tempo. Quem criou o universo o fez com uma sabedoria infinita, de modo a preservá-lo através das duas coisas que repito sempre: coerência e equilíbrio.


25. E como funciona o seu concorrente? É uma organização parecida com a sua? Existem Engenheiros do Destino maus?

Não. A forma e o modo de trabalhar, ou seja, blocos de energia que colocam idéias na mente de vocês, são os dois pontos em comum. O resto é bem diferente, e é interessante notar como é a diferença nas regras que permite manter o equilíbrio.

A organização deles é bem simples. Em lugar de Engenheiros do Destino, eles são Operadores Negativos, liderados por um único ente. Cada um deles não tem uma lista de tutelados, mas pode colocar idéias na mente de qualquer um de vocês. Eles não têm objetivos a cumprir, apenas a missão de dificultar ou comprometer o nosso trabalho.

Você pode questionar o que os motiva a continuar fazendo isso. Pode parecer proselitismo, mas nós dominamos o seu mundo. A prova disso é que ele ainda existe. Eles querem conquistar o poder, para então mudar as regras e passar a ganhar algo em troca de um bom trabalho. As regras deles favorecem isso.

Esse favorecimento consiste no seguinte: quanto mais poder uma pessoa tem no seu mundo, mais receptiva ela se torna às idéias deles e, consequentemente, menos às nossas.

Você certamente já viu uma infinidade de pessoas que lutaram por ideais nobres até atingirem uma posição de poder e, tão logo chegaram lá, passaram a agir de uma maneira bem diferente, buscando apenas o próprio interesse. Não as culpe, isto faz parte do jogo.

Claro que há exceções. Há pessoas que alcançam o poder e preservam os mesmos princípios éticos que as levaram até lá. Isto se deve a fatores positivos que não foram totalmente apagados de suas placas. É uma vantagem nossa: nada de negativo é gravado numa placa. Se fosse, descartaríamos essas placas imediatamente quando retornassem a nós.

Eu falei em poder, você pode questionar qual o papel do dinheiro nisso. Dinheiro é poder; poder econômico, mas é poder. É uma convenção que vocês criaram para ter uma forma de poder bastante flexível e facilmente transportável. Contudo, não faz qualquer diferença: um governante perder seu mandato, ser deposto, é tão fácil quanto um milionário perder todo ou boa parte do seu dinheiro num mau investimento.

Para deixar bem claro, o poder é qualquer coisa que dê a uma pessoa alguma vantagem em relação às demais, e que possa ser aproveitada em benefício próprio. Existem inúmeras formas de poder. Entre elas, você poderá encontrar dinheiro, como acabamos de ver, mas também o direito de dar ordens ou estabelecer regras para outras pessoas, o poder político. O poder militar é apenas outra forma de poder político. Descendo por essa linha, podemos chegar às formas mais rudimentares de poder, que seriam a força física pessoal, a disponibilidade de armas, ou mesmo a posse de suprimentos indispensáveis, algo que remonta às épocas mais primitivas da humanidade, porém que continua prevalecendo até os dias de hoje.

ESTA É UMA AMOSTRA PARCIAL DO LIVRO, QUE JÁ FOI PUBLICADO E ESGOTADO (ISBN: 85-98627-42-9)
SE QUISER LER O TEXTO COMPLETO, AINDA TENHO ALGUNS EXEMPLARES.
ENTRE EM CONTATO POR E-MAIL.

 
 
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