Legendagem de vídeo - José Henrique Lamensdorf - translation - tradução

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Legendagem de vídeo

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LEGENDAGEM DE VÍDEO – O PROCESSO


Muitos me procuram pedindo orçamento porque precisam “legendar um vídeo”. Certamente conhecem a matéria-prima, o filme original, e também o produto final, o filme legendado. Contudo não parecem saber o que ocorre entre um e outro. Outros me aparecem com uma quantidade colossal de horas de vídeo que querem legendar, achando que, se há tanto disso na TV, deve ser um processo rápido e barato.

Meu objetivo aqui será explicar o que ocorre no processo, e algumas das opções mais comuns que ele oferece.


1. A TRADUÇÃO

Presume-se que o vídeo seja falado em um idioma, e se deseje tê-lo legendado em outro. A “legendagem” de vídeos no mesmo idioma em que são falados se chama closed-captioning, e será tratada brevemente no final; vamos deixar isso de lado por enquanto.

Então o primeiro passo é a tradução. Vamos começar desfazendo alguns preconceitos errados que tenho visto.

A menos que você vá mandar traduzir o vídeo para vários idiomas, não há motivo de mandar transcrevê-lo para obter um roteiro no idioma original. Veremos o porquê disso logo adiante.

Se tiver o roteiro, também não deve haver razão para mandar traduzi-lo na íntegra. Este seria o caso somente se o assunto fosse algo tão específico, com uma terminologia tão rara, que não haveria um mesmo tradutor especializado na matéria e em tradução de vídeo para legendagem.

E já que tocamos no assunto, sim, é preciso um tradutor especializado em tradução de vídeo para legendagem. Há muitos bons tradutores que simplesmente não traduzem vídeo; falta-lhes tanto o equipamento como o software, e especialmente o treinamento necessário. Há tradutores que só traduzem vídeo para dublagem, e possivelmente não farão um trabalho adequado para legendagem.

Eu mesmo passei 18 anos traduzindo vídeo para dublagem até começar a traduzir para legendas. Não, não se trata de um ser mais fácil ou difícil que o outro, muitas das ferramentas são as mesmas, porém a abordagem é radicalmente diferente. O Sintra
sugere que se cobre nada menos que o dobro do preço para legendagem quando a tradução for para dublagem, porém é algo que eu pessoalmente discordo.

A tônica da tradução para legendagem é a concisão. O tradutor precisa preservar ao máximo a essência do que se diz no roteiro original, procurando criar o texto mais enxuto possível, para dar ao espectador mais tempo de assistir à ação na tela depois de ter lido cada legenda.

Por exemplo:
Original em inglês (falado): I hold the deeply ingrained opinion that...
Tradução integral: Mantenho a opinião profundamente arraigada de que...
Legenda ideal (escrita): Acho mesmo que...


O roteiro é necessário?

Não tenho absolutamente nada contra o Sintra, uso-o aqui apenas por ser a única referência no Brasil sobre preços de tradução. Contudo eles sugerem que o tradutor cobre um adicional de 50% para traduzir vídeos quando o roteiro original não for fornecido.

Sem dúvida, quando as falas forem encobertas por música ou ruídos altos, será difícil o tradutor entender o que se diz. Contudo pensando bem, os espectadores falantes do idioma original terão o mesmo problema, então é pouco provável que uma boa produção original se atreva a fazer isso.

O melhor motivo para se contar com o roteiro é a qualidade dos nomes próprios nas legendas. Um bom tradutor de vídeo irá trabalhar diretamente do áudio, da trilha sonora, mas como fazer para que ele escreva corretamente nas legendas, digamos, o nome do Professor Zbygniew Wojechszlecki, da Universidade de Szczecin, se tiver sido dito por um americano? O tradutor nem saberá como procurar isso no Google para descobrir a grafia correta. Se houver um script disponível, ele resolverá este problema; se não houver, convém tentar fornecer material de referência, mesmo que sejam links para páginas na Internet.

Outra preocupação do tradutor de vídeos é o que chamo de ritmo do vídeo; por exemplo, se ele tem muitas pausas, muitas trocas de interlocutor, diálogos rápidos, uma infinidade de variáveis. O tradutor deve se preocupar com o espectador, se este irá acompanhar o ritmo do vídeo enquanto entende o que acontece.

Dentro do possível, quando uma fala se estende por mais de uma legenda, é preciso muito bom-senso para quebrar esses fragmentos de modo que a ideia geral vá fazendo sentido acumulado na mente do espectador. Por este motivo, não é viável traduzir apenas de legendas existentes, sem o tradutor assistir ao vídeo.

Exemplificando, se tivermos um vídeo falado em holandês e legendado em inglês, é insensatez pedir ao tradutor para simplesmente traduzir as legendas do inglês para o português e aproveitar a marcação (nosso próximo assunto), sem assistir ao vídeo. Pela diferença da estrutura frasal entre o inglês e o português, é praticamente certeza de que a legendagem ficará muito ruim se for feita assim.

Outro motivo para o tradutor assistir ao vídeo é a possibilidade de uma mesma frase significar várias coisas. Por exemplo, a frase solta em inglês It’s down!, em português pode significar: a) Está abaixado/a;  b) Parou, não está funcionando; ou c) São penas (de travesseiro).

E ainda há o problema de gênero...

E ainda há o problema de gênero... It’s red quer dizer que a) é vermelho; ou b) é vermelha? Por outro lado, blue em inglês será sempre azul em português, indiferentemente ao gênero, todavia em italiano poderá ser azurro (m) ou azurra (f).

Há tradutores de vídeo que se limitam a traduzir para legendagem. A marcação (que veremos logo em seguida) será feita por outra pessoa. A convenção é usar no máximo duas linhas em cada legenda, porém o número de caracteres por linha pode variar, dependendo das letras que irão usar e do tamanho da tela (em pixels), portanto é preciso informá-lo desse número.

De um modo geral, eles entregam as legendas traduzidas para o marcador em um destes formatos:
Primeira linha da primeira legenda
Segunda linha da primeira legenda
Primeira linha da segunda legenda
Segunda linha da segunda legenda
ou...
Primeira linha da primeira legenda|segunda linha da primeira legenda
Segunda linha da segunda legenda|segunda linha da segunda legenda

Um comentário final: o trabalho de tradução de vídeo não é rápido. Minha média de produção contínua é 6:1. Isto quer dizer que levo uma hora para traduzir dez minutos de vídeo. Sei de tradutores que trabalham a 12:1, e nunca ouvi falar de alguém que faça em menos de 5:1. Como é um trabalho cansativo, que exige concentração, não se pode presumir que eu consiga traduzir um vídeo de 80 minutos em oito horas mantendo alguma qualidade.


2. A MARCAÇÃO

Explicando da forma mais simples, marcação é determinar em que momento, a contar do início do vídeo, cada legenda aparece na tela e desaparece, em horas, minutos, segundos, e frações de segundo.

Isto é feito com software, o resultado sendo um arquivo contendo essencialmente texto. O problema é que esse arquivo texto pode existir em mais de 60 formatos, a escolha dependendo de como as legendas serão aplicadas no vídeo, ou seja, qual o software que será usado para isso.

Quando esse software de "queima" das legendas é simples, o arquivo contém a maior quantidade de informações sobre as legendas, em termos de fonte, tamanho, cor, formato, posição etc.

Um dos formatos de arquivo de legandas mais completos é o SSA (acrônimo de SubStation Alpha), e se parece com isto:
ScriptType: v4.00
[V4 Styles]
Format: Name, Fontname, Fontsize, PrimaryColour, SecondaryColour, TertiaryColour, BackColour, Bold, Italic, BorderStyle, Outline, Shadow, Alignment, MarginL, MarginR, MarginV, AlphaLevel, Encoding
Style: Default,Trebuchet MS,36,65535,16777215,16777215,0,-1,0,1,2,2,2,50,50,40,0,0
[Events]
Format: Marked, Start, End, Style, Name, MarginL, MarginR, MarginV, Effect, Text
Dialogue: Marked=0,0:00:02.93,0:00:07.30,Default,NTP,0000,0000,0000,!Effect,Primeira linha da primeira legenda\NSegunda linha da primeira legenda
Dialogue: Marked=0,0:00:08.24,0:00:13.52,Default,NTP,0000,0000,0000,!Effect,Primeira linha da segunda legenda\NSegunda linha da segunda legenda
Dialogue: Marked=0,0:00:08.24,0:00:13.52,Default,NTP,0000,0000,0000,!Effect,Primeira linha da segunda legenda\NSegunda linha da segunda legenda
Dialogue: Marked=0,0:00:08.24,0:00:13.52,Default,NTP,0000,0000,0000,!Effect,Primeira linha da segunda legenda\NSegunda linha da segunda legenda


Quando o programa que irá aplicar as legendas é mais elaborado, o arquivo de legendas fica mais simples, por exemplo, como o formato SRT (SubRip):
1
00:00:02,934 --> 00:00:07,302
Primeira linha da primeira legenda
Segunda linha da primeira legenda
2
00:00:08,247 --> 00:00:13,527
Primeira linha da segunda legenda
Segunda linha da segunda legenda

Às vezes há variações mínimas de um formato para outro, porém elas são essenciais para a compatibilidade. Se o programa que for utilizar um arquivo de legendas simples for igualmente simples, talvez se possa aplicar uma ou outra variação geral nas legendas (cor, tamanho, fonte), porém é pouco provável que se possa fazer modificações em nível de uma legenda ou um certo grupo de legendas, por exemplo, colocar as letras em itálico quando alguém no vídeo fala em “off”, fora da imagem.

Nos programas de alto nível para aplicação de legendas, geralmente programas de autoração de DVDs, usam-se os arquivos mais simples, porém nesses mesmos programas é possível fazer alterações individuais em legendas, ou até em partes delas (por exemplo, só em uma ou outra palavra).

Há tradutores que fazem a tradução e a marcação concomitantemente, isso é possível, e pode representar algum ganho de tempo. Eu, pessoalmente, prefiro fazer a marcação juntamente com a revisão das legendas.

O marcador não precisa ser necessariamente um tradutor, embora precise entender os idiomas de origem e de destino razoavelmente. Eu mesmo, apesar de somente traduzir entre inglês e português, faço marcação de vídeos para tradução em todos os pares envolvendo estas duas e mais italiano, francês e espanhol.

Quando o marcador não é tradutor para o idioma de destino, o que se perde é que ele não terá condições de perceber (e portanto corrigir) qualquer erro que tenha escapado ao tradutor. E também não terá condições de substituir palavras, no caso de o tradutor ter excedido os limites para cada linha.

O custo da marcação, segundo o Sintra, é 30% do custo da tradução, o que me parece sensato quando o tradutor fizer a marcação. Se a marcação for feita por outra pessoa, sua carga de trabalho dependerá da qualidade da tradução que lhe tiver sido fornecida. 30% de uma tradução barata, portanto supostamente ruim, poderá dar ao marcador o dobro ou o triplo do trabalho, a uma remuneração irrisória. Seria injusto.



3. A GERAÇÃO OU QUEIMA DAS LEGENDAS

Aqui o processo se ramifica em opções.

Vamos começar pela mais simples, quando a geração/queima não será feita. As legendas são geradas e sobrepostas no vídeo durante a exibição. É possível fazer isso quando o vídeo estiver hospedado no YouTube e você tiver acesso à página, para carregar as legendas. Oura opção é exibir o vídeo num computador usando o VLC Media Player (grátis) da VideoLAN. Várias emissoras de TV, especialmente TV a cabo, também geram as legendas em tempo real.

A segunda opção é velha conhecida nossa dos tempos do VHS: as legendas queimadas no vídeo. Para assistir sem elas, só cobrindo a parte inferior da tela. Isto é feito por software, que geralmente trabalha com um único tipo de arquivo. O processo é automático, mas pode levar (bastante) tempo, dependendo do tamanho do quadro e da duração do vídeo. Também pode envolver a conversão de arquivos de vídeo. Neste caso é preciso tomar certo cuidado para não comprometer a qualidade da imagem.

E a terceira opção é exclusiva do DVD com legendas sobrepostas ao vídeo. Um DVD comporta até 30 conjuntos de legendas, ou seja, idiomas diferentes, e mais a possibilidade de desligar as legendas. O processo é mais demorado e portanto mais caro por minuto do que queimar as legendas (em um único idioma, é claro) diretamente no vídeo, porém oferece mais flexibilidade.


4. CLOSED CAPTIONS

Este artigo não estaria completo se deixássemos de mencionar as closed captions. Apesar de terem aspecto parecido, elas não são legendas.

Em primeiro lugar, elas estão no mesmo idioma em que o vídeo é falado. Seu objetivo é permitir que quem não possa ouvir o áudio tenha acesso ao que se diz. Deficientes auditivos são um caso, porém elas também são usadas onde o barulho local (por exemplo, locais de espera movimentados) impede que se ouça, ou onde o silêncio seja exigido (por exemplo, bibliotecas ou salas de espera de hospitais).

Em segundo lugar, elas incluem os efeitos sonoros entre colchetes, por exemplo, [telefone toca], [porta bate], [latidos], [música].

Mas o que realmente determina a diferença é que as closed captions não são acrescentadas diretamente à imagem, porém codificadas. A decodificação é feita pelo televisor ou por um aparelho externo.

Em função da baixa demanda, não ofereço este serviço como tal. Os clientes que o requisitaram e aceitaram que fosse feito na forma de legendas sobrepostas em DVD, obtiveram o mesmo resultado com maior flexibilidade.



CONCLUSÃO

Agora espero que você tenha uma noção melhor do processo inteiro da legendagem.

Produtoras de vídeo, de um modo geral, costumam me pedir apenas a tradução, às vezes a marcação também. Empresas, organizações e pessoas cujo negócio principal não é a produção de vídeo preferem o serviço completo. De qualquer modo, estou preparado para atender em qualquer etapa do processo.

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