ECONOMIZE! - José Henrique Lamensdorf - translation - tradução

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10 MANEIRAS DE ECONOMIZAR EM TRADUÇÃO



Todo mundo quer comprar tudo mais barato, isso é natural. É claro que cada um tem muitas coisas que gostaria de comprar se tivesse mais dinheiro. Então serviços de tradução não são exceção à regra, mas... Como é possível conseguir traduções mais baratas?

Muitos me pedem orçamentos cotados pelo meu
melhor preço... como se eu tivesse uma variedade de opções, parecidas com as de uma grande locadora de automóveis. Não dá! Não posso oferecer uma tradução com ou sem ar condicionado, direção hidráulica etc.

Mesmo assim, há diversas oportunidades para reduzir a sua despesa total em projetos envolvendo tradução, e não são tantos os clientes ou terceirizadores de traduções que as utilizam. Eis aqui dez delas, em sua maioria - se não todas - mutuamente exclusivas, portanto convém aproveitar quantas puder.

O princípio básico em todas elas é evitar o retrabalho. Se qualquer economia inicial criar um risco de exigir retrabalho mais adiante, convém eliminá-la do elenco de opções logo no início.


1. Critérios de seleção do tradutor

A primeira limitação sempre será o(s) par(es) de idiomas envolvido(s). Em geral você terá o original em um idioma, precisando que ele seja traduzido para um outro. Se o mercado de tradução de inglês para hindi é genericamente mais barato do que, digamos, de japonês para alemão, não adianta tentar aplicar os valores de um par no outro. É a velha regra da oferta e da procura: você terá de pagar o que custa atender suas necessidades específicas.

Alguns idiomas impõem um desafio adicional, as variantes. Se você tem motivos de marketing para precisar de, por exemplo, francês do Canadá, português do Brasil, inglês da Austrália, não é uma opção muito sensata impor ao seu mercado-alvo uma variante diferente da que eles usam. A mensagem chegará com um certo tom de desprezo: você não parecerá considerar o mercado deles suficientemente importante para merecer uma tradução para a variante local específica.

Alguns países têm leis específicas sobre tarifas de tradução, por exemplo, traduções juramentadas no Brasil e aparentemente algumas traduções de vídeo na França. Se encontrar um tradutor disposto a lhe dar um reembolso em dinheiro (já que a lei proíbe descontos), pode ter certeza de que ele estará fazendo outras coisas por baixo do pano, o que pode aumentar o risco de a tradução exigir retrabalho posteriormente.


2. Áreas de especialidade

Você precisa mesmo de um tradutor especializado? Se o material que precisa traduzir se refere a uma área específica do conhecimento humano, por exemplo, eletrônica, medicina, legislação, biologia etc., é provável que precise de um tradutor que entenda o suficiente do assunto para fazer sentido em outro idioma.

É claro que, pela lei da oferta e da procura, um tradutor especializado irá custar mais caro. Todavia nem sempre ele é imprescindível, e não é tão difícil descobrir se você precisa de um especialista: basta pensar no público-alvo daquele material específico.

Por exemplo, se o material que você precisa mandar traduzir é genericamente classificado em "medicina", veja qual é o público que se pretende atingir. Se ele for direcionado a médicos ou outros profissionais de saúde, não haverá alternativa: você precisará de um especialista que domine a terminologia médica em ambos os idiomas, e que entenda claramente o que se diz lá. Todavia se o texto for direcionado a pacientes, seus familiares, ou o público em geral, não será preciso um tradutor especializado em medicina.

O mesmo se aplica a qualquer outra área de conhecimentos especializados. É claro que um especialista irá produzir um trabalho um tanto melhor dirigido a leigos naquela matéria, porém não chega a ser uma necessidade absoluta.


3. Tempo

Quanto mais tempo você der a um tradutor para fazer o trabalho, menos transtorno você causará à programação dele, e portanto será menos provável que ele lhe cobre a mais pela rapidez.

Vejo muita gente perdendo vários dias, até semanas, em busca de um tradutor mais barato, até que o prazo final fica tão próximo que se torna um trabalho urgente.

A lei brasileira sobre traduções juramentadas, um dos raros regulamentos existentes, é bem justa neste caso. Ela fixa uma produção diária relativamente baixa para o tradutor por cliente, porém o tradutor que não atingir esse nível, e portanto entregar com atraso, poderá ser penalizado em 50% das tarifas regulamentadas. Por outro lado, ela estabelece uma sobretaxa de urgência de 50% ao se exigir mais do que essa produção mínima por dia útil, bem como uma sobretaxa de 100% para trabalho em fins de semana.

Um tradutor profissional normalmente terá normalmente alguns trabalhos em andamento, e irá alternando entre eles para entregar todos no prazo. Todavia ele só poderá dar prioridade máxima a
um deles por vez. Se tudo estiver bem programado, e você subitamente lhe encomendar um trabalho com urgência máxima, é óbvio que isso causará um grande tumulto na programação desse tradutor, sem falar na necessidade de prolongar o horário de trabalho para ele não perder nenhum prazo, inclusive o seu. Então se você lhe der mais tempo para fazer tudo sem sobressaltos, numa sequência planejada, poderá contar com as tarifas normais desse tradutor, sejam elas quais forem, mas sem nenhuma sobretaxa.

Gostaria de enriquecer este exemplo explicando como é possível obter livros traduzidos por tradutores profissionais bem ocupados. Não vou entrar em detalhes aqui, contudo é preciso mencionar que a publicação de um livro traduzido exige um investimento inicial considerável, ao passo que o retorno só começará a se concretizar depois que os leitores começarem a comprar exemplares dele em livrarias. O trabalho normal de um tradutor é intermitente: os projetos chegam, são traduzidos e entregues. Então entre um trabalho e outro é comum haver um vazio, que poderia ser enquadrado como "tempo ocioso". Se um tradutor tiver a oportunidade de trabalhar num livro com prazo longo, poderá preencher esses intervalos ociosos em algo produtivo, por menos rentável que seja. Então poderá oferecer tarifas consideravelmente mais baixas para trabalhos que possam ser feitos usando em boa parte o que seria tempo de outra forma improdutivo.


4. Faixas de preço

Antes de ler este artigo, este possivelmente teria sido seu único critério para decidir pela escolha de um tradutor ou outro. Todavia não é uma questão de simplesmente comparar números e escolher o menor dentre eles.

É claro que convém você contratar o tradutor no nível de preço mais baixo necessário para atingir seus objetivos, porém você
não deve contratar simplesmente o tradutor mais barato que achar. Primeiro verifique seus objetivos e então, considerando todos os aspectos apontados aqui, escolha o tradutor que lhe oferecer a melhor relação entre custo e benefício.

Muitos portais de tradução na Internet lhe darão uma noção de qual é a tarifa
média de mercado para um certo par de idiomas, considerando o sentido (de qual para qual) dentro dele. Todavia as tarifas efetivas que os tradutores adotam podem variar bastante, então seguem-se algumas diretrizes gerais.

Para este exercício, vamos supor que o preço médio de mercado para a tradução que você precisa fosse 100. Nenhuma moeda indicada, nenhuma especificação, apenas 100, uma referência. Aplique isso aos seus números reais para ver o que iria obter. A variação dentro de cada faixa deve refletir a experiência pessoal de cada tradutor, dando espaço a uma curva de maturidade. Como a qualidade em tradução não é uma ciência exata, os números são apenas faixas aproximadas (não há uma preocupação em definir, por exemplo, o que acontece entre 90 e 99); é um contínuo.

  • acima de 120 – Este nível se destina a tradução especializada, geralmente técnica, como a apresentada no item 2 acima. Se for este o seu caso, fique nele, não aposte na probabilidade de um tradutor menos preparado subir de nível num passe de mágica. Por outro lado, não convém abusar. Seria um desperdício de dinheiro contratar um tradutor especializado em textos jurídicos para fazer o folheto de instruções do seu aparelhinho eletrônico barato.


  • entre 100 e 120 – Este é o nível padrão para traduções de qualidade. Como 100 é a média nesta escala, ela começa no valor que os tradutores mais baratos esperam cobrar, e vai até o nível superior conforme a experiência dos tradutores desta faixa. Este nível de tradução lhe oferece traduções boas, corretas, que parecem ter sido escritas por e para os integrantes da população que fala a língua de destino diariamente: seu público ou mercado. Eles receberão bem essas traduções como visivelmente escritas (e não traduzidas) tendo-os em mente, e ficarão gratos pela sua consideração.


  • entre 70 e 90 – Estas são traduções feitas "em bateladas". Embora você não vá encontrar nelas erros de digitação, grafia ou gramática, com uma intensidade variável elas refletirão o idioma de origem. Se as línguas de origem e destino tiverem a mesma raiz, por exemplo, se ambas forem latinas, escandinavas ou eslavas, essas falhas muitas vezes serão pouco evidentes. Contudo se tiverem raízes diferentes, a tradução saltará aos olhos de leigos e conhecedores. Leitores bilíngues involuntariamente irão "destraduzir" tudo numa tentativa de entender as ideias. Os monoglotas muitas vezes ficarão perplexos.


  • 50 ou menos – Esta é a área de alto risco. Como há um preço na definição, é seguro supor que estamos falando de tradução humana barata. Mesmo assim, sua qualidade geral é comparável à tradução automática gratuita disponível na Internet. Para piorar as coisas, a tradução automática é constante em suas falhas, do começo ao fim. Esses amadores baratos, por sua vez, acabam aprendendo muitas coisas novas pelo caminho, e às vezes começam a acertar a partir de um certo ponto. É claro que ganhando tão pouco não vão se dar ao trabalho de voltar para consertar o que acabaram de descobrir que estavam fazendo errado. Se o texto for longo, é provável que se esqueçam de algumas dessas coisas antes de chegar ao final, e voltem a traduzi-las como faziam antes. Se o resultado final é mais ou menos o mesmo, por que jogar dinheiro fora com alguém que proporciona algo equivalente ao que se pode obter de graça na Internet?


  • a faixa dos 60 – Se você estava lendo com atenção, terá percebido que eu pulei os 60. Esta região está se transformando num abismo, ou como quiser chamar uma região deserta. Tanto terceirizadores como clientes finais de tradução vêm percebendo que podem obter o mesmo nível de serviço por menos (ou até de graça, com tradução automática, como acabei de explicar), então estão passando a oferecer valores mais baixos. Os tradutores que antes atuavam nesta área andaram descobrindo que não podem mais cobrar tanto pelo que têm a oferecer e baixando suas tarifas, ou que o que oferecem vale mais, e partindo para cobrar valores mais altos.



5. Prazos de pagamento

Você contrataria um banco para fazer suas traduções? Espero que não. Mesmo que um banco concordasse em traduzir para você, seriam amadores nesta área de atuação, visto que sua especialidade é serviços financeiros. Então o que justifica pegar dinheiro emprestado de tradutores? Supostamente, eles são amadores em conceder empréstimos.

Um banco oferece taxas de juros
boas (ou seja, baixas) em financiamentos, porque este é o seu negócio principal. Um tradutor que o fizesse estaria fora de sua praia, então deveria cobrar taxas de juros ruins (ou seja, absurdamente altas). Mesmo assim, vários países desenvolveram uma cultura de pagar tradutores em 45, 60 ou mais dias após a entrega. Por quê? Porque se baseiam no fato de os tradutores serem ignorantes em finanças; afinal de contas, são linguistas, homens das letras, não dos números.

Experimente ver para crer... descubra as tarifas de um tradutor de primeira linha especializado em finanças, que supostamente entende como a humanidade lida com o dinheiro. São absurdamente altas? Com certeza! E por quê? Porque a maioria dos seus clientes acha
normal ou de praxe pagar a um tradutor no mínimo 30 dias após a entrega dos serviços. Peça a esse tradutor especializado em finanças um desconto em troca de pagamento à vista contra entrega, e provavelmente o obterá.

Por outro lado, simplesmente pedir a um tradutor um desconto, ao ser informado do seu preço, e sem relevar nem alterar qualquer parte do seu pedido, poderá revelar uma informação importante, fatual. Se um tradutor lhe der um desconto apenas porque você pediu, segudo o meu manual de ética, ele é desonesto! Estava tentando lhe passar a perna! Agora ele está revelando seu preço real, ao perceber que você é esperto o bastante para achar o preço inicial um exagero, mesmo que não tivesse realmente notado.

Todavia é perfeitamente normal e honesto negociar uma redução de preço ao aliviar o tradutor de certas exigências do trabalho, ou dar-lhe mais tempo para terminá-lo.


6. Tradutor autônomo ou agência de tradução?

Na maioria dos casos, contratar um tradutor autônomo diretamente deveria custar menos do que fazê-lo por intermédio de uma agência de tradução. Afinal de contas, a agência precisa ter algum lucro e pagar tributos, portanto é razoável que uma cadeia de suprimento mais longa aumente o custo.

Todavia no mínimo dois aspectos - quando houver - poderão tornar a opção de contratar uma agência de tradução de fato
mais econômica do que um tradutor autônomo. A maior parte da economia depende do custo que você atribuiria ao seu próprio tempo.

Se precisar uma tradução excepcionalmente grande, e o seu prazo seria normal apenas para uma de tamanho médio, contratar
um tradutor inevitavelmente causaria transtorno à programação dele, ou exigiria que trabalhasse em horário prolongado, de modo que seria provável lhe cobrarem um adicional de urgência. Uma agência de tradução está preparada para montar uma equipe de tradutores, de modo que cada um deles trabalhe dentro de sua própria rotina, cobrando o preço normal. A agência também providenciará a padronização e revisão do texto, conforme necessário.

Se tiver decidido montar essa equipe de tradutores sozinho, pense em quanto tempo você irá gastar para recrutar, selecionar, dar instruções, fazer acompanhamento, administrar as contas e os pagamentos, e ainda montar todos os pedaços que irá receber para obter algo uniforme. Uma agência de tradução poderá fazer isso de maneira muito mais eficiente, e portanto mais econômica.

Surgem situações parecidas quando você precisa da tradução de um original para vários idiomas, ou quando há trabalho adicional envolvido, como diagramação e editoração eletrônica, gravação de áudio, legendagem de vídeo, autoração de DVDs etc. Primeiro, você terá que recrutar, selecionar, negociar, e gerenciar um batalhão de fornecedores mutuamente independentes. Imagine receber uma pilha de faturas, uma de cada um deles, e passará o projeto para uma agência de tradução. Além disso, sempre haverá o risco de um fornecedor ter problemas com a qualidade do trabalho que o anterior entregou, iniciando um ciclo fechado que irá durar até que tudo se resolva.

É claro que há tradutores que oferecem serviços além da tradução, porém eles são raros. A redução de custo obtida pelo uso da agência não aparecerá no preço final, mas no seu custo: você terá mais tempo para fazer qualquer outra coisa em lugar de ficar sozinho coordenando um projeto possivelmente complexo de tradução e outras coisas mais. Algumas dicas para comparar quando é melhor contratar um tradutor autônomo ou uma agência de tradução podem ser encontradas aqui (clique), incluindo algumas dicas para o processo de seleção.


7. Material fornecido

O material que você fornece ao tradutor para trabalhar pode fazer uma boa diferença. Por exemplo, você pode tê-lo em papel, então simplesmente o envia pelo correio ou por fax, ou o escaneia e manda um arquivo PDF por e-mail para o tradutor. Este era o processo tradicional, antes da era do computador.

Atualmente os tradutores contam com todo um arsenal de ferramentas para traduzir muito mais rapidamente de arquivos de computador para arquivos de computador. O padrão do mercado é arquivos DOC do Microsoft Word. Se o original foi gerado em algum lugar da sua empresa usando o Word, valeria a pena procurar esse arquivo. Muitos tradutores cobram um valor adicional para traduzir a partir de papel ou arquivos PDF (do Adobe Acrobat).

Por falar em arquivos
PDF, há dois tipos deles: escaneados e gerados (ou destilados como a Adobe os chama). PDFs escaneados são equivalentes a papel impresso: uma letra "O" neles não passa de um círculo, seu texto não é editável. Um software de OCR (reconhecimento óptico de caracteres) é capaz de extrair o texto, porém a qualidade deste dependerá de vários fatores, incluindo a resolução do escaneamento (no mínimo 200 pontos/polegada, DPI, para servir para alguma coisa). Os PDFs gerados são editáveis, e há diversas maneiras de se trabalhar com eles, embora muitos tradutores não o façam. Um método inovador é descrito .

Embora o trabalho a partir de um arquivo PDF inevitavelmente vá causar um custo adicional, se for feito corretamente, eliminará a necessidade posterior de editoração eletrônica (DTP), muito mais cara, para obter uma publicação graficamente criativa corretamente diagramada após a tradução.

Contudo a publicação que você tem para traduzir pode ter sido criada com outros programas, mais provavelmente um dos pacotes profissionais de editoração eletrônica, como InDesign, QuarkXpress, Frame Maker ou PageMaker. Também existe a possibilidade de ela ter sido criada com programas de nível amador para editoração eletrônica como Microsoft Publisher, Serif PagePlus ou o gratuito Scribus. Cada um de todos estes programas utiliza seu formato exclusivo de arquivos, e os poucos conversores que existem entre alguns deles não funcionam bem. Então há quatro opções básicas.

  • Se um desses programas for tido como padrão na sua empresa, você precisará de um tradutor que tenha e saiba usar programas de tradução que penetrem nos respectivos arquivos e traduza o texto dentro deles. Seu pessoal especializado no uso daquele programa de editoração eletrônica terá de abrir esses arquivos para verificar e ajustar problemas de diagramação causados pelo refluxo do texto. Esta opção somente será mais econômica a longo prazo, se um dia você precisar atualizar, ou de outra forma alterar esses arquivos dentro da própria empresa.


  • Você pode ter de procurar um tradutor que de fato trabalhe com esse programa específico de editoração eletrônica, para que ele possa traduzir nele e fazer os ajustes de diagramação necessários. Isso pode ser difícil de encontrar, e provavelmente custará mais caro. Verifique seus motivos para manter esse arquivo traduzido compatível com aquele programa específico.


  • Se não conseguir achar um tradutor que trabalhe com aquele programa de editoração específico, irá precisar de um diagramador capaz de extrair o texto daquela publicação, e um tradutor para trabalhar nele. Depois o diagramador irá aplicar o texto traduzido na publicação, e você precisará que o tradutor revise o resultado, possivelmente num arquivo PDF. Esta é a mais cara e mais demorada das opções, que deve ser evitada sempre que for possível.


  • Se encontrar um tradutor que trabalhe diretamente em arquivos PDF, conforme descrito na , embora o ajuste da diagramação vá custar algo além da tradução pura e simples, quando este projeto for terceirizado integralmente, a despesa total sairá bem mais em conta, graças ao aproveitamento da maior parte do trabalho original de diagramação, se não todo ele.


A tradução de vídeo é um outro caso onde é alguns cuidados podem reduzir significativamente os custos. A maioria dos tradutores de vídeo costuma adotar tarifas bem mais baixas quando se fornece o script. Se não houver um script, material escrito ou até links para sites com material relacionado na Internet poderão ajudar até certo ponto.

Um ponto a enfatizar aqui é que a dublagem e a legendagem de vídeo são processos lineares. Se qualquer coisa for feita inadequadamente em qualquer etapa do processo, e os problemas de qualidade forem percebidos posteriormente, será preciso voltar ao passo onde foi gerada a falha e refazer tudo a partir daí.

O resultado final é que como a tradução é o primeira de todas as etapas, cortar custos nela não é uma escolha sensata. A tradução em si talvez seja mais barata, porém o processo inteiro poderá acabar custando muito mais caro.

Por exemplo, se uma tradução para dublagem for inadequada em termos de métrica, já vi isso acontecer: os dubladores acabam levando muito, mas muito mais tempo em tentativas de "fazer caber", de fato, várias vezes mais tempo do que o previsto. No cômputo final, dubladores, técnicos, o diretor de dublagem e o aluguel do estúdio - tudo isso pago por hora - poderão custar algumas vezes mais do que a economia feita ao se contratar um tradutor mais barato, por princípio menos competente. Da mesma forma, se a tradução para legendas não for adequada à legendagem, muitas vezes ela exigirá adaptação, ou mesmo terá que ser refeita.

Então, em trabalhos de vídeo, quanto mais tarde no processo você pensar em cortar custos, mais provável será de fato conseguir fazê-lo. Por exemplo (embora eu não recomende isto), se cortar custos no último passo, digamos, a duplicação de DVDs, pode funcionar. Se recorrer a um serviço de copiagem barato, usando mídia barata, a partir de uma matriz impecável, o pior que pode acontecer é obter muitas cópias defeituosas, que seu fornecedor terá de repor às próprias custas, se assim tiver sido combinado. Embora esta não seja uma opção sensata, deve servir para lhe dar a ideia de como funciona.


8. Nível de entrega

Verifique suas necessidades reais em termos do que precisa receber, e não peça mais do que de fato precisa. Evite pagar a um tradutor para fazer coisas que serão inevitavelmente refeitas.

Por exemplo, se for contratar a tradução de uma apresentação em PowerPoint. Tradutores costumam cobrar um adicional (que chega até a 20-30%) para ajeitar todos os problemas resultantes de refluxo do texto, ou para ajustar o alinhamento após a tradução. Se tiver algum "fera" em PowerPoint na sua empresa, ou se alguém de qualquer modo for revisar a apresentação inteira e fazer modificações adicionais, talvez para compatibilizar com algum outro material, diga ao tradutor para não ir além da revisão ortográfica, e deixar a diagramação do jeito que ficar.

Por outro lado, se a apresentação inteira for ser revisada por pessoal local, que domina o idioma de destino, para fazer modificações mercadológicas ou técnicas, talvez possa economizar alguns custos pedindo ao tradutor para não perder tempo com revisão apurada.


9. CAT tools = ferramentas de tradução assistida por computador

Talvez você as conheça, mas pode ser que não. Ferramentas CAT são programas de computador que, à medida que se vai traduzindo, vão criando um banco de dados das frases que já foram traduzidas, talvez naquele projeto específico, naquele assunto, ou até ao longo da vida do tradutor. O objetivo é poupar o tradutor de ter que lembrar todas as frases idênticas ou bem parecidas que ele já traduziu.

Se sua empresa publica bastante material semelhante, por exemplo um fabricante de impressoras que a toda hora publica manuais novos, porém essencialmente iguais, vale a pena o tempo e o trabalho de implantar um sistema automatizado desses, e exigir que se trabalhe com ele o tempo todo.

Por outro lado, você pode ter lido em algum lugar que
todos os tradutores profissionais usam uma certa ferramenta CAT... e nenhuma outra! Isso é a estratégia de marketing do criador dessa ferramenta específica: eles lutam persistentemente para incutir a ideia de que nenhum tradutor profissional competente poderá ser considerado como tal se não comprar e usar o produto deles. Martelam isso com tanta insistência, que qualquer pessoa de mente aberta será capaz de acreditar.

Você já ouviu a expressão
“garbage in, garbage out”? Em inglês, quer dizer que "se entra lixo, sairá lixo". Para sua informação há várias marcas de ferramentas CAT, e aquela a que me referi aqui é apenas a mais cara de todas. Além disso, uma ferramenta CAT não traduz sozinha; tudo o que ela faz é lembrar ao tradutor como ele já traduziu qualquer palavra, expressão ou frase recorrente, e poupá-lo de ter que digitar novamente. Se aquele tradutor traduz mal, a ferramenta CAT não irá ajudá-lo a melhorar sua qualidade.

Então, antes de rejeitar sem pensar todo e qualquer tradutor que não utilize qualquer ferramenta CAT específica, verifique a realidade: Isso faz alguma diferença para você?

Um tradutor realmente competente lhe fornecerá a mesma qualidade de tradução usando lápis e papel. Talvez ele leve muito mais tempo para pesquisar, traduzir, verificar a ortografia, a coerência e a gramática, porém a qualidade deverá ser a mesma. Por outro lado, um tradutor despreparado provavelmente lhe entregará um trabalho de amador, mesmo se dispuser do software mais caro do mercado.

Se você precisa apenas da tradução, não haverá motivo para se preocupar com a ferramenta CAT que o tradutor utilizará, desde que ele não deixe vestígios desse uso no material que lhe entregar. Por outro lado, se você exigir ferramentas caras, pondere que o tradutor que as tiver poderá estar buscando um retorno sobre o investimento que fez nelas, e por isso cobrando mais caro.


10. Informações e instruções firmes

Um modo infalível de desperdiçar dinheiro num projeto é gastando-o em retrabalho, frustrando qualquer intenção de acertar na primeira tentativa. Se qualquer coisa for alterada após o início de um projeto, é provável que algum trabalho precise ser descartado, corrigido, alterado ou refeito. A tradução não escapa a esta regra.

Então prepare tudo antes de encomendar uma tradução. Se você contratar alguém para fazer um projeto, e depois decidir eliminar algumas partes, acrescentar outras, e ainda modificar mais algumas, prepare-se para ver uma quantidade indeterminada do seu dinheiro descendo pelo ralo.

Se não tiver certeza das especifiacções do seu projeto e achar que está lidando com um tradutor honesto, confiável, peça conselhos a ele. Lembre-se de que ele ganha a vida com isso, então é provável que já tenha visto ou enfrentado situações semelhantes. Aproveite a experiência dele.

O pior caso possível é quando o resultado acaba saindo melhor do que você esperava, portanto terá sido preciso você ver o trabalho concluído para descobrir que algo poderia ter sido feito muito melhor do que você pediu. Então você resolve partir para o topo e, muitas vezes, isso exigirá recomeçar desde o início: esta primeira tentativa terá sido um grande desperdício de tempo e outros recursos.


Conclusão

O truque é este: Visualize o quadro completo!

Não se iluda pensando que pode economizar dinheiro simplesmente comparando tarifas de vários tradutores em reais por lauda e contratando o mais barato. Veja bem seu objetivo final e procure ver investimentos que irão agregar valor ao longo da jornada. Pense em termos de custo/benefício. Às vezes um pequeno custo adicional pode alavancar tantas vezes os benefícios, que você jamais pensaria em economizar alguns trocados na tradução se tivesse levado isso em consideração.

Contudo, quero terminar com uma advertência: De fato, há casos em que o mais barato é o ideal. O exemplo abaixo, em inglês, mostra as instruções fornecidas com um descascador de legumes vendido por R$ 1,99 no varejo. Se o produto ou serviço para o qual você precisa de uma tradução não valer mais do que isso, ignore todas estas recomendações e vá direto para a tradução mais barata que puder encontrar. Divirta-se!

 
 

© José Henrique Lamensdorf - É autorizada a reprodução deste artigo, desde que seja dado o devido crédito ao autor, citando o link para a página de publicação original.

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